O CLUBE

O nascer do Futebol em São José do Rio Pardo

Rodolpho José Del Guerra

(Trecho de um capítulo do novo livro do Prof. Rodolpho a ser lançado em 2002).

Bete Torres, a primeira mulher a dirigir uma entidade sócio-esportiva da cidade, pediu-me, há dias (maio de 2001), informações sobre o início da agremiação que ela preside, o Rio Pardo Futebol Clube.

Com prazer, passei-lhe algumas informações do meu arquivo. Em 1908, já existia o "Club Atlético Rio Pardense”, comprovado por um requerimento de setembro, através do qual Francisco Parisi e João Damasco pediam demissão do referido Clube. Era seu 1º secretário Pedro Isaac de Souza.

Do " Rio Pardo Club ao Rio Pardo F. C.

Em 1909, o jornal O Rio Pardo, de 4 de abril, noticiava: "Fundou-se no dia 2 de abril o "Rio Pardo Club”, uma "associação de divertimentos, cujos fins são proporcionar a seus sócios partidas dançantes, conferências científicas e literárias, sendo discutido o estatuto e eleita a diretoria, que assim se compõe: presidente Cel. Oliveiros Fernandes Pinheiro; secretário Cap. João Américo Ribeiro Filho; tesoureiro Cap. Luiz Romano”.

"A sociedade terá sua sede à Rua Treze de Maio, nº 10, cujo prédio está sendo adaptado de modo a apresentar-se para tal fim. Brevemente seus salões serão abertos com aristocrático baile”.

O mesmo jornal, de 18 de abril, comentava o baile do dia 10, oferecido à diretoria do RPC pelos senhores Antônio Cândido Rolim, Belchior do Amaral Mello e Manoel Pacheco Filho, no qual compareceu grande número de senhoras e cavalheiros da melhor sociedade. que terminou alta madrugada. Anunciava para 23 de maio de 1909 um torneio de bilhar.

A ata da fundação do "Rio Pardo Club”, em 2/4/1908, está transcrita no jornal de 25 de abril de 1909, (...).

É preciso atentar que a nova modalidade esportiva, o "foot ball” inglês, chegava a São José, em 1908, 1909. A cidade ainda não tinha nenhum campo para a prática deste esporte, só aparecendo um, em 1910, nos altos da cidade, no Parque da Caixa d’ Água, em terrenos cedidos pelo Cel. Honório Luiz Dias (no local onde, hoje, está o Hospital São Vicente).

Em agosto de 1909, o jornal comentou a inauguração do "Club XII”, em Casa Branca, "consagrado ao divertimento da pelota, hoje tão em moda”. Em outubro, uma pequena nota noticiava um acidente com o menino Fernando Peixoto, que "sofreu queda quando, no Largo do Rosário (hoje Praça Barão do Rio Branco), fazia exercícios de foot-ball”.

O Sport Club Euclides da Cunha

Um clube, o "Sport Club Euclides da Cunha”, foi fundado no início de 1910. Em março, a renda de uma sessão do Teatrinho foi oferecida ao recém-criado clube esportivo, cujo diretor esportivo era Eurico Cruz, empresário que construiu o Cine Pavilhão.

Fausto Prado Olyntho, num seu artigo em Colméia, revista publicada e encerrada em 15 de agosto de 1930, cita Melchior do Amaral Mello, como o fundador do "Sport Club”, e o comerciante José Estêvão como o doador da primeira bola.

O jornal O Rio Pardo elogiou os rapazes que "em boa hora fundaram um club esportivo, cujo esporte, o foot ball, equilibra todas as funções corporais, acalmando e despertando a atenção dos jogadores, contribuindo para a formação do bom caráter”.

Sem campo de futebol, os jogadores treinavam no Largo do Rosário (onde hoje está o Mercado) e no Parque da Caixa d’Água (área ocupada hoje pelo Hospital São Vicente e adjacências).

Em abril e maio de 1910, jogos de futebol já eram anunciados, antes da inauguração do campo de futebol do SCEC, nos altos da cidade, no Parque da Caixa d’Água, que recebia atenções do prefeito Cel. João Moreira, "embelezando aquele aprazível lugar para transformá-lo num pitoresco ponto de ‘rendez-vous’ das famílias rio-pardenses”.

O primeiro grande "match training” (jogo treino) aconteceu às 17 horas de 24 de abril de 1910, com grande público. Dia 1º de maio, o Parque ficou lotado para assistir ao "match training”, que escolheria os jogadores para a inauguração do campo.

Com o título "Foot Ball”, o jornal O Rio Pardo comentou a grande festa de inauguração do campo, domingo, 22 de maio de 1910, com extraordinária concorrência: " (...) Às 4 e meia horas da tarde, o ‘referce’ (arbitro) deu o sinal do início do jogo entre os ‘teams’ branco e vermelho, ao som de uma belíssima marcha executada pela banda do Grêmio Musical Riopardense. Depois de 90 minutos, os vermelhos -- Quinquim, Arlindo, Sylvio, Cornélio, José, Lydio, Fernando, Braghetta, Samuel (cap.), Oswaldo e Ney -- saíram vencedores por 3 a 0. (...) Findo o ‘match’, os ‘teams’ desceram para a cidade, acompanhados da banda e povo, reunindo-se no Club Recreativo, onde os vencedores ofereceram um copo de cerveja às pessoas presentes”.

Futebol Colmeia I - Da esquerda para a direita, em pé: Joaquim Nogueira, Arlindo Juliani, Totó Freire, Melchior Amaral Mello (cap.), Paulo Corrêa, Orlando Peixoto e Orlando de Lima. Sentados: Caetano Caruso, Euclydes R. de Souza. Jacyntho Parisi e Sylvio Nogueira.

Fausto Prado Olyntho transcreveu em Colméia de 1930 uma declaração do velho esportista Joaquim Nogueira: "O nosso clube não conheceu o prazer de uma vitória, pois em todos os encontros, ou empatava ou perdia, quer no seu como nos campos dos adversários. Perdeu para Casa Branca em diversas jogos e para Mococa em alguns, empatando em outros”.

O "Sport Club Euclides da Cunha”, em ofício enviado à Câmara Municipal, assinado pelo secretário Pedro Isaac de Souza, solicitava-lhe que denominasse Coronel João Moreira a avenida que circunda o campo de "Foot-ball”.

Todos os clubes da cidade incluíram o futebol nas suas atividades.

O Rio Pardo Club passou a denominar-se "Rio Pardo Foot-Ball Club”.

Em março de 1912, a revista "Polyanthéa”, comemorativa do encerramento dos festejos populares pró Santa Casa de Misericórdia, na página 14, no artigo "Associações Riopardenses”, cita a diretoria do RPFC: presidente - Lourenço Landini; vice-presidente - João Américo Ribeiro; tesoureiro - Pedro Becker; 1º secretário -João Lima; 2º secretário - Antônio Freire de Moraes; orador - Tarqüínio Cobra Olyntho; 1º captain - Melchior Amaral Mello e 2º captain - Jacyntho Parisi.

Fausto Prado Olyntho, na revista Colméia (1930), escreeu: "(...) O Rio Pardo Futebol Clube descende por tradição do Esporte Clube Euclydes da Cunha. (...)”

Não restam dúvidas de que o Rio Pardo Futebol Clube advém do Rio Pardo Club, fundado em 2 de abril de 1909.

Em 1915, a diretoria do clube era a seguinte: presidente - José Benedito Salgado de Oliveira; vice-presidente - José Ovídeo de Figueiredo; tesoureiro - José Braghetta; 1º secretário - Fernando Peixoto; 2º secretário - Oswaldo Menezes; orador - dr. Jovino de Sylos; 1º captain - Manoel de Aquino; 2º captain - José Augusto Ribeiro.

Rio Pardo João Destro H - No campo da Caixa d’Água. Em pé, o primeiro de terno é Pedro Rondinelli, o terceiro de bigode é João Destro. Os dois à direita de terno são: Américo Prado Mendes (cinza) e Alfredo Damásio (de preto). O primeiro ajoelhado à esquerda é Sílvio Rondinelli e o terceiro sentado é José Augusto Ribeiro (Zé Gato).

Além do RPFC, dois novos clubes surgiram: o "Aurora” e o "Operário”. Este, em 1914, tinha Paschoal Artese como presidente. Eram três clubes a utilizarem o único campo da cidade, que pertencia ao Rio Pardo F. C. Havia reuniões para tratar da conservação e quotas a pagar. Foi constituída uma Liga dos Clubes existentes, composta pelos três presidentes, que deliberou o seguinte: "o ‘Aurora’ tem para training as quintas-feiras e as manhãs. com exceção dos domingos; o ‘Operário’ tem as terças, sextas-feiras e manhãs de domingo; o Rio Pardo tem as segundas, quartas-feiras e os sábados”. Lourenço Landini comentou que o campo precisaria de reformas e melhoramentos e que antes de discutir sobre "trainings”, todos deveriam preocupar-se com o "ground” (campo) da Caixa d’Água”. O sr. Paschoal Artese ficou encarregado de fazer o orçamento e apresentá-lo à Liga.

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